Conhecer a Vila de Paranapiacaba, que significa em tupi-guarani “lugar de onde se avista o mar”, é um exemplo de como é possível viajar sem gastar muito e ter uma experiência para guardar e recordar. Obviamente, o passeio fica barato para quem vive em São Paulo ou no ABC, mas este post na verdade é um convite ao leitor a tentar descobrir, próximo à sua cidade, algum lugarzinho interessante de visitar como assim o fiz, morando em São Paulo. Neste fim de semana descobri, através da indicação de uma grande amiga, a Natalina Costa (a quem agradeço a companhia), este encanto de vila, situada em Santo André, no ABC Paulista.
Viajar para mim independe da distância percorrida, mas sim da sensação de “estar em outro lugar”, de ter a oportunidade de conhecer outras paisagens. Para chegar em Paranapiacaba, peguei metrô, trem e um ônibus metropolitano, comum. Foi um pouco mais de uma hora e vinte de viagem, que me proporcionou um fim de semana agradável, tranquilo, fotos e recordações interessantes.
A Vila de Paranapiacaba, que trata-se de um distrito do município de Santo André, é um museu a céu aberto. Sim, literalmente um museu. A vila foi tombada como patrimônio histórico pela sua importância na economia do Brasil no século XIX e conserva algumas características da época em que funcionava a todo vapor (com todos os trocadilhos possíveis!).
Segundo verbete extraído da Wikipedia, Paranapiacaba “surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway – estrada de ferro que possibilitava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos, e vice-versa (…)”. “A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela primeiramente serviu como transporte de passageiros de Santos a São Paulo e Jundiaí (última estação); também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. Em 1874, é inaugurada a Estação do Alto da Serra, que mais tarde seria denominada Paranapiacaba”.
A vila é dividida em Parte Alta e Parte Baixa, que corresponde a uma espécie de pequeno vale. Não há hotéis em Paranapiacaba, somente pequenas pousadas. Natalina e eu, enquanto escolhíamos onde ficar, acabamos optando por uma pousada localizada na parte alta da, que fica próxima ao ponto de ônibus, a Pousada da Casa Roxa, administrada pelo Álvaro e pela Margarete, que transformaram sua casa em um hostel simples, mas daqueles em que você se sente bem à vontade. O ponto positivo desta pousada, além da simpatia e receptividade dos seus anfitriões, é a vista privilegiada da vila. A casa é quase um mirante e de lá consegui tirar fotos panorâmicas e ter o prazer de jogar um baralhinho no final do dia, presenciando a neblina descer sinuosa e cobrir a vila. Linda cena! Ah! E o bolo de fubá do seu Álvaro também vale a pena a visita!
Paranapiacaba parece ter parado no tempo, lá nos fins do século XIX, inícios do século XX. As casas, construídas para abrigar os ferroviários e suas famílias, permanecem, muitas delas, com suas características originais. Caminhar pelas ruas é caminhar através do tempo. Muitas dessas casas são habitadas, são residências dos moradores da vila. Outras foram transformadas em ateliês de arte ou pequenos restaurantes, que atendem à população e aos turistas. Como a frequência de turistas é bem variável, os horários dos estabelecimentos, que servem refeições, também variam muito, logo é preciso caminhar um pouco e procurar onde é possível fazer uma refeição, que quase sempre é caseira, mas bem preparada. Há vários cafés e restaurantes, mas poucos funcionam efetivamente em um horário regular.
A atração principal da vila é, sem dúvidas, a ferrovia com seu trenzinho que ainda funciona, mas não para fins comerciais. O trem hoje é operado apenas para fins turísticos. Por R$ 5,00 é possível fazer o passeio de 10 minutos. O passeio não é longo, mas vale para conhecer o interior do vagão, a sensação do movimento, os apitos e tudo mais a que se tem direito. O projeto é tocado por voluntários e o ingresso cobrado é o que mantém o trem funcionando.
Além do trem, datado de 1814, se não me engano, há uma réṕlica que roda a vila, só que em cima de rodas e não de trilhos. Para passear no trenzinho de mentirinha, o visitante deve se dirigir à Rua Direita. Não tem como errar. Ele está lá paradinho, amarelo e reluzente para fazer a festa de quem visita Paranapiacaba.
Além das casas dos ferroviários e dos passeios de trenzinho, o visitante pode ainda ter acesso a vários pequenos museus, espalhados ao longo da vila, como o Museu do Funicular, que é uma espécie de casa de máquinas; o Museu do Castelo, ou Castelinho, localizado no alto da colina e antiga moradia do engenheiro-chefe, que de lá fiscaliza o trabalho dos ferroviários; o Clube União Lira Serrano, onde aconteciam exibições de cinema mudo. Além desses pontos turísticos, há ainda o Antigo Mercado e o Pau da Missa.
A vila recebe geralmente visitantes de regiões próximas ou ecoturistas, acostumados a enfrentar trilhas árduas para descansar e relaxar em cachoeiras e piscinas naturais. Há vários monitores que trabalham na vila organizando as trilhas e acompanhando os turistas para dar-lhes segurança. Além de seu apelo ecológico, a vila também se tornou ponto de encontro de esotéricos, bruxos e Xamãs. Se não me engano, já rolaram alguns eventos, como encontro de bruxas, na vila.
Bom, queridos Jeguiantes, deixo então a vocês a dica deste simpático distrito de Santo André, que muito me encantou. Tenho planos de voltar lá quando puder, pela acessibilidade da viagem em termos de custo e, principalmente, pela tranquilidade, paz e aconchego que este deslocamento me proporcionou. Aos paulistanos, acostumados ao ritmo acelerado da cidade, uma ressalva: visitar a Vila requer paciência com o ritmo do lugar. Nada de correria, nem de lugares abertos 24 horas. É uma oportunidade de perceber que há sim outras formas possíveis de viver, sem tanta parafernália, sem tanta pressa e que ainda assim funciona e muito! Agora, agradeço à minha companheira nesta viagem, Natalina, pela companhia agradável, pelas partidas de baralho, pelo bate papo e por ter me apresentado este lugar tão bacana. Obrigada, minha querida!
Informações Gerais:
Onde fica? Distrito do município de Santo André, São Paulo.
Como chegar? Acessem o site do Wikipedia e lá tem tudo detalhado para o visitante.
Onde se hospedar? Pousadas. Fiquei na Pousada da Casa Roxa, na Parte Alta da Vila.
Quer conhecer um pouco mais, acesse os sites dedicados à Paranapiacaba!
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