Caros jeguiantes, hoje falaremos de uma praia que povoou meu imaginário infantil e que revisitei, há poucos meses, quando estive na minha saudosa Bahia, terra onde nasci e me criei. Todo mundo guarda em si memórias dos tempos de menino. Tempos despreocupados, de poucos sobressaltos e de olhar sempre limpo. Jauá faz parte de minhas memórias afetivas, de tempos em que passava finais de semana, feriados e férias no sítio de meus tios na região de Vila de Abrantes. Nessa época, vivia com o pé no mato, pendurada em goiabeiras, catando ovos de quintal para os cafés da manhã, sempre com aquele ar de fazenda, com muito cuzcuz, queijo coalho, leite fresco e o inesquecível bolo de laranja de minha tia Enalva. Revisitar Jauá é revisitar as minhas lembranças mais queridas de infância. Tempos de toda a família reunida, de muito riso e que deixaram saudades. Jauá também, coincidentemente, guarda lembranças do Erik. Ainda muito pequeno, ele fez sua primeira grande viagem para o Nordeste junto à sua família em uma Brasília. Depois de conhecer a terra onde sua mãe havia nascido – Caruaru/PE, Erik foi conhecer os parentes de seu pai em Salvador e, no meio do caminho, foram visitar alguns primos que viviam nos arredores de Jauá. Entre lembranças de bolinhos de feijão comidos com a mão, do banho nas águas deste mar tranquilo, meu companheiro de viagens e vida partilhou comigo esta viagem no tempo. Tempo que não volta, mas que faz parte do que somos.

  • Jauá, Bahia: Praia tranquila a poucos quilômetros de Salvador
Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

O nome Jauá vem de uma espécie de papagaio típica da região, que é um dos símbolos desta praia. Lembro que, quando menina, a escultura deste pássaro era ponto de encontro e de referência para quem frequentava aquelas águas tranquilas, quando a maré baixava. Jauá está localizada no munícipio de Vila de Abrantes, na Estrada do Coco (litoral norte da Bahia), na altura dos km 15 e 16 e há 1 km do pedágio. Partindo de Salvador, o viajante gastará por volta de 40 minutos de carro para chegar à praia.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Erik revivendo seus tempos de menino em Jauá, Bahia. Imagem: Janaína Calaça.

Erik revivendo seus tempos de menino em Jauá, Bahia. Imagem: Janaína Calaça.

A Estrada do Coco, juntamente com a Linha Verde, reúne uma série de praias mais tranquilas e menos frequentadas que as praias de Salvador, com exceção da Praia do Forte, que tem uma intensa visitação turística ao longo do ano. Jauá e Itacimirim são as praias de águas mais tranquilas, tanto em relação às marés baixas, quanto às altas, porém Jauá é a que está mais próxima a Salvador. Dá para fazer, tranquilamente, um bate-volta. Partindo pela manhã, o viajante poderá passar o dia na região, se banhar, tomar sol e fazer suas refeições ou nas barracas de praia, localizadas na orla, ou nos pequenos restaurantes das cercanias. Caso queiram passar um fim de semana por lá, há opções de pousadas para receber os visitantes.

Emilia (mainha) e Erik em Jauá, Bahia. Imagem: Janaína Calaça.

Emilia (mainha) e Erik em Jauá, Bahia. Imagem: Janaína Calaça.

Lembranças dos tempos de miúda. :) Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Lembranças dos tempos de miúda. :) Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

  • Principais atrativos de Jauá: Dunas de areia branquinha, quebra-mar e suas piscinas naturais
Morrinhos de areias brancas para praticar o Skibunda. Imagem: Erik Pzado.

Morrinhos de areias brancas para praticar o Sandboard. Imagem: Erik Pzado.

Entre os atrativos turísticos de Jauá estão as suas dunas (ou morrinhos) de areia branca, bem fina, utilizadas hoje para a prática do Sandboard. Quando criança, rodeada por meus primos, eu ía para estas dunas para descer rolando lá de cima. Lembro da cara de susto de minha mãe, quando eu aparecia com areia até as orelhas. Naquela época também, crianças e adultos usavam pedaços de madeira para descer as dunas, hoje substituídos pelos esquis improvisados.

Morrinhos (dunas) de areia branquinha. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Morrinhos (dunas) de areia branquinha. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Ondas arrebentando no quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Ondas arrebentando no quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Além das dunas, outro atrativo de Jauá é a presença de um enorme quebra-mar, que torna as águas mais tranquilas para o banho por facilitar, durante a maré baixa, a formação de diversas piscinas naturais. Quando menina, atravessei muitas vezes a porção de água até o quebra-mar, só para ouvir de perto as ondas se arrebentarem nas rochas. Da areia, eu via minha mãe de cabelos em pé, sempre achando que, de uma hora para outra, uma onda daquelas iria me dar um caldo e me levar para o outro lado. No máximo, ganhei umas belas cravadas de espinhos de pinauna (ouriço) no pé e nada mais.

Força das ondas arrebentando no quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Força das ondas arrebentando no quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Caminhando sobre o quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Caminhando sobre o quebra-mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

  • Praia ideal para crianças e idosos

Devido à presença do quebra-mar, as águas de Jauá são tranquilas. Como citei anteriormente, o mar sem ondas e a presença de piscinas naturais, durante a maré baixa, são ideais para crianças e idosos. Até na maré alta, o mar ainda é mais tranquilo do que na maioria das praias de Salvador.

Abençoados pelo mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Abençoados pelo mar. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

As águas tranquilas do mar de Jauá. Boa pedida para crianças! Imagem: Erik Pzado.

As águas tranquilas do mar de Jauá. Boa pedida para crianças! Imagem: Erik Pzado.

A tranquilidade das águas permite que as crianças tenham mais liberdade para brincar. Com suas boias, pranchas, pula-pula, os pequenos fazem a festa e os pais podem descansar mais relaxados.

Infância. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Infância. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

  • Pesca e esportes naúticos

Jauá, de início, era essencialmente uma vila de pescadores, que tiravam do mar o seu sustento e o de sua família. Ainda menina, alcancei o tempo em que a vila era pontuada de pequenas casinhas, habitadas em sua maioria por esses trabalhadores. Neste tempo também, as ruas eram de terra e o acesso era mais difícil. Com o passar dos anos, Jauá foi sendo povoada por veranistas, que passaram a adquirir casas para aproveitar os fins de semana, feriados e as férias de meio e de fim de ano.

Navegando... Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Navegando… Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

A moda das casas de veraneio foi, aos poucos, passando, mas deixou a vila mais estruturada para o turista. Hoje, as ruas são asfaltadas, há mercadinhos, farmácia, bares e pequenos restaurantes para atender não só à população, como também aos visitantes. A tradição da pesca, como meio de sobrevivência, ainda permanece, mesmo que em menor intensidade. Ainda vemos, sempre, saveiros e pequenas embarcações rumando para além do quebra-mar em busca de peixes a serem vendidos nos pequenos mercados ou para subsistência.

Caiaque. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Caiaque. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

A calmaria das águas de Jauá é ideal também para a prática de alguns esportes náuticos, como fazer pequenas travessias de caiaque ou a bordo de um banana-boat. :)

  • As cores e a ludicidade de Jauá, Bahia
A insustentável leveza... da bolhinha de sabão! Jauá, Bahia.Imagem: Erik Pzado.

A insustentável leveza… da bolhinha de sabão! Jauá, Bahia.Imagem: Erik Pzado.

 

Nossa visita a Jauá foi atravessada de saudosismo. Não só um saudosismo das lembranças do lugar, tanto minhas como as de Erik, mas uma saudade grande da infância e de seus tempos de despreocupação. Por não ser uma praia badalada, da moda, e por ser mais conhecida por seus habitantes e por habitantes de pequenas vilas ou cidades aos seus arredores, Jauá guarda o mesmo ritmo conhecido de 20 anos atrás.

Alegria e simplicidade. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Alegria e simplicidade. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Um punhado de alegria. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Um punhado de alegria. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Nas areias de Jauá, cenas como a de um vendedor de arame para bolhinha de sabão sendo seguido por crianças e adultos são corriqueiras e fazem com que a gente olhe para trás e lembre de um passado em que tudo era mais simples e nem por isso menos divertido. O Erik disse uma coisa que ficou por muito tempo ecoando na minha cabeça: – “Este homem tem a melhor das profissões do mundo. Este homem vende alegria”. E a alegria estava na simplicidade de mergulhar um arame, feito à mão, em um copinho de plástico cheio de sabão, levantar para o alto, aproveitar o vento e enfeitar os olhos de quem assistia à cena da beleza éterea daquelas bolhinhas.

Olha o algodão doce! Imagem: Erik Pzado.

Olha o algodão doce! Imagem: Erik Pzado.

Colorido das boias. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Colorido das boias. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Pipas coloridas enfeitando o céu, algodão doce para adoçar a vida. Cana-de-açúcar em pequenos espetinhos e amendoim cozido para acompanhar o guaraná. Ah, o cheiro de acarajé e do abará, vendidos em tabuleiros junto às cocadas e bolinhos de estudante por baianas vestidas com saias brancas de renda e com os cabelos envoltos por turbantes! Imagens e sabores que povoaram minha infância e que fazem parte do meu imaginário. Aquela sensação de familiaridade, de lugar conhecido, me atravessou todo o dia. O mar sempre renova. As boas lembranças também.

Cana na bacia. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Cana na bacia. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Amendoim cozido. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Amendoim cozido. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Para fritar as retinas... Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Para fritar as retinas… Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

  • Em busca das raízes

Com os pés na areia de Jauá, areia grossa, cheia de pedrinhas, me enraizei. Enraizei a minha história, minhas memórias e a mim mesma. Quando se vive muito longe da terra, de vez em quando é preciso retornar para não esquecer. Não esquecer das pequenas e grandes alegrias, das coisas que nos constituem, dos lugares e das pessoas que fazem parte do que somos. Minha pequena viagem a Jauá, ao lado de minha mãe, minha primeira raiz no mundo, e do meu amor, Erik, minha raiz em São Paulo, foi uma viagem não só física, mas também ao mundo de lembranças que me regem. Revivi não só imagens e sabores do tempo de menina, mas criei novas lembranças, que não apagarão as antigas, mas sim serão somadas ao que sou e ao que virei a ser.

Enraizando. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Enraizando. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Enraizando. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

Enraizando. Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

  • Informações gerais sobre Jauá, Bahia

Localização: Partindo de Salvador, está localizada entre os KM 15 e 16 da Estrada do Coco, a 1 km do pedágio.Vila de Abrantes, Camaçari-BA.

Estrutura turística: Presença de bares, pequenos restaurantes, mercadinhos, farmácia, 1 hotel e 5 pousadas.

Principais festas populares: Lavagem de Jauá (fim de Janeiro), Festa de Iemanjá (2 de fevereiro), Lavagem de Pé de Areia (última semana de setembro) e o Carnaval (de acordo com o calendário nacional – festa tradicional).

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O nome Jauá vem de uma espécie de papagaio típica da região, que é um dos símbolos desta praia. Lembro que, quando menina, a escultura deste pássaro era ponto de encontro e de referência para quem frequentava aquelas águas tranquilas, quando a maré baixava. Jauá está localizada no munícipio de Vila de Abrantes, na Estrada do Coco (litoral norte da Bahia), na altura dos km 15 e 16 e há 1 km do pedágio. Partindo de Salvador, o viajante gastará por volta de 40 minutos de carro para chegar à praia.

Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado.

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5 Comentários

  1. Erik Pzado disse:

    Neguinha,

    Que delícia ler esse post… Revivi esse dia delicioso e os dias no início de 1984 após as overdoses de Dramin para aguentar a viagem na Brasilia Azul 1976…

    Meses após essa viagem, fomos surpreendidos com o roubo da Brasilia na época com chapas AZ-8370 que por muuuuito tempo nos levou a ficar caçando no COPOM se havia alguma notícia dessa bendita! Tardes a fio ligando para 228-8999 e após soltar o “A de Amor, Z de Zabumba 8370″, aguardava a digitação e ouvia a voz do outro lado sempre afirmando: Brasilia Azul não localizada…

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  3. Ludmy disse:

    Que delícia de lugar! E me deu muita vontade de fazer sandboard!

  4. o melhor lugar que eu e minha esposa meus filhos meu irmao meus cunhados minha sogra meu sogro todos que mim acompanharao eu sou de salvador. mais amo jaua


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