Para minha mãe, Emília, que me abriu tantas portas, sem nem mesmo perceber

Hoje, 20 de novembro, é celebrado em São Paulo e em poucas cidades brasileiras (poucas ainda, infelizmente) o “Dia da Consciência Negra” e, no mundo, o “Dia da Criança” – os adultos de amanhã, que simbolizam a esperança por um futuro em que as diferenças sejam respeitadas e que todos nós sejamos vistos como iguais, independentemente de nossa etnia, classe social, sexo, gênero ou qualquer ponto que constitua nosso estar no mundo como indivíduos. No futuro, por exemplo, desejo que as crianças de hoje reconheçam e respeitem a alteridade e que não façam dela motivo de hostilidade, de marginalização, nem mote para discursos de ódio que enfraquecem nossa sociedade. Como seres sociais que somos, se a sociedade em que vivemos adoece, adoecemos juntos, pois fazemos parte dela invariavelmente.

Essa semana, Erik e eu fomos convidados para participar do lançamento mundial do Project Sunlight, projeto idealizado pela Unilever, que agrega as iniciativas sociais das empresas que compõem esse grande hub de companhias de bens de consumo, limpeza e alimentos. O evento aconteceu hoje, dia 20 de novembro – dia em que ainda é preciso lutar pelo reconhecimento da igualdade étnica e dia em que celebramos a infância no mundo. Não poderiam ter escolhido uma data tão simbólica para o lançamento oficial desse projeto.

Unilever

Assim como a Unilever é um hub de empresas, o Project Sunlight é um hub de pequenas iniciativas, que podem, de alguma forma, impactar positivamente o nosso futuro. Em campanhas como da Dove, por exemplo, que valoriza a pluralidade das belezas no universo feminino, a iniciativa está tentando, de alguma forma, combater a padronização da beleza. Em um mundo plural, é preciso mostrar que o estereótipo “corpo magro, cabelos lisos e pele branca” nunca dará conta das inúmeras belezas existentes e que é preciso celebrar a diversidade e não a padronização, que muitas vezes machuca ou mata (vide os inúmeros casos de morte em decorrência da anorexia e a dor provocada naqueles que são excluídos por não fazerem parte do padrão estético “normativo”).

Para contribuir com o combate à fome, a empresa, por meio da Fundação Unilever, “mantém há seis anos parceria com o Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês) das Nações Unidas – que realiza ações focadas na melhoria das condições alimentares em escolas e lares, impactando as vidas de mais de 50 milhões de crianças”. No Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, a Unilever realiza a ação “1 curtir = 1 refeição escolar”. Por meio de aplicativos inseridos nas páginas do Facebook de suas marcas de alimentos, cada clique “curtir” dos consumidores é revertido na doação de uma refeição para escolas públicas. São várias as iniciativas reunidas no Project Sunlight, que, através de ações diretas ou indiretas, estão focadas em um ponto primordial: melhorar o mundo, de alguma forma, para as próximas gerações.

Dando o “pontapé inicial” a esse projeto, a Unilever lançou um vídeo e uma pergunta: “Por que trazer uma criança a este mundo?”. Durante o vídeo, pais e mães, que estão prestes a terem seus filhos (depois de um longo período de gestação), são questionados sobre os medos e motivadores de trazerem crianças ao mundo, sendo que este mesmo mundo está atravessado por guerras, fome, desigualdades sociais, violência e por todas as problemáticas mais do que conhecidas por nós.

Para dar continuidade à discussão levantada pelo vídeo, a Unilever convidou, no Brasil, a psicóloga Rosely Sayão para falar sobre as novas gerações de crianças, a relação entre pais e filhos e como podemos vislumbrar um futuro a partir dessa relação e dessa nova geração. O que esperamos das novas gerações de crianças?

Em um bate-papo, Rosely falou sobre uma série de mudanças de paradigmas relacionados ao conceito de infância nos dias de hoje. Falou sobre crianças com agendas abarrotadas por atividades extracurriculares, o que as impedem de viver os primeiros anos da infância, os primeiros contatos sociais e as descobertas naturais provenientes desses contatos. Falou sobre festas infantis com valores astronômicos, que deixam de lado o objetivo principal – festejar e brincar – para atender ao espetáculo social, a um modelo de vida-show; sobre o crescente distanciamento das crianças dos espaços públicos e do contato com outras realidades distintas das suas; e do medo dos pais de dizerem não e frustrarem seus filhos. Frustração essa que é parte da vida e que, se não aprendida como parte de um movimento natural, gera adultos mimados, sem limites e que não conseguem lidar com os “nãos” e com as frustrações que irão encontrar no futuro, quando tiverem que tomar as rédeas de suas próprias existências.

Rosely Sayão palestra sobre infância, novas gerações e futuro. Imagem: Erik Araújo

Rosely Sayão palestra sobre infância, novas gerações e futuro. Imagem: Erik Araújo

Rosely Sayão palestra sobre infância, novas gerações e futuro. Imagem: Erik Araújo

Rosely Sayão palestra sobre infância, novas gerações e futuro. Imagem: Erik Araújo

A discussão trouxe vários ganchos para novas discussões, mas a pergunta ainda estava lá: “Por que trazer uma criança a este mundo?”. E, quando você traz uma criança ao mundo, como você a está preparando para o futuro? Futuro este que não só te afetará diretamente, como também a outras pessoas, visto que cada um de nós assumimos papéis durante nossa existência, que interferem na vida de outros indivíduos.

Por enquanto, não pretendo ter filhos. Com uma vida corrida, com a luta diária pela sobrevivência, com todas as incertezas que me cercam, não me sinto preparada ainda para por uma criança no mundo. No entanto, a partir da discussão levantada pela Rosely, eu celebro hoje os pequenos gestos que minha mãe e meu pai fizeram por mim e que me tornaram o que sou. Quando menina, o dinheiro de minha família era curto para viajar nas férias e as prioridades eram outras e muito mais urgentes. Para preencher o verão em Salvador, minha mãe nos levava (meu irmão e eu) para conhecer a nossa cidade e fez um cartão na biblioteca próxima à escola para que eu pudesse pegar quantos livros eu quisesse durante as férias. Entre livros e verões, meu amor pela literatura cresceu e foi através da literatura que conheci outros mundos, outras realidades, outros países e etnias. O amor pela literatura, plantado por minha mãe, me fez ingressar na universidade, no curso de Letras e de lá saí como professora. Passei por salas de aula ensinando e aprendendo com meus alunos, até me mudar para São Paulo, criar um blog sobre viagens e ter a oportunidade de viajar por várias cidades e países e conhecer de perto as realidades que conheci através dos livros. Os gestos de minha mãe, de me apresentar a Salvador – a minha cidade natal – e aos livros, fizeram de mim uma professora, uma escritora, uma mulher apaixonada por livros e um ser humano que respeita as diferenças e quer conhecer e abraçar o mundo, mas sem esquecer das origens. Essa foi a maior contribuição de minha mãe. Ela me abriu portas, que nem fazia ideia de que iria abrir e fez, indiretamente, que eu assumisse papéis na sociedade em que vivo e que influenciam, direta ou indiretamente, a vida de outras pessoas.

Eu e minha mãe, Emilia, viajando juntas. Imagem: Erik Araújo

Eu e minha mãe, Emilia, viajando juntas. Imagem: Erik Araújo

Se um dia eu for mãe, espero saber abrir caminhos e apoiar meu filho para a vida. Mas, enquanto isso não acontece, tento, no dia a dia, realizar pequenos gestos que podem fazer a diferença para o outro, seja inspirando alguém a viajar e conhecer outras realidades – o que, de alguma forma, contribui para que esse alguém seja mais aberto às diferenças, quando se dispõe a conhecê-las e reconhecê-las em sua alteridade –; seja apoiando minha família e tentando estar próxima, mesmo com a distância geográfica no momento, seja escrevendo esse texto e lançando uma outra pergunta… O que você está fazendo para tornar o seu mundo melhor para os seus e para os outros?

(Conheça o Project Sunlight, acessando: https://www.projectsunlight.com.br/)

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3 Comentários

  1. Erik PZado disse:

    Neguinha, se eu não fosse seu nessa vida, estaria fadado a continuar voltando até te encontrar. Sempre reafirmo meu amor e certeza na pessoa que escolhi ter ao meu lado. Lendo seus textos, vendo seus gestos, seus barulhinhos e acima de tudo, ouvindo tua fala me encanto a cada dia! 🙂

  2. Juliana Andrade disse:

    Que lindo texto, Jana! E que lindo o caminho que sua mãe te proporcionou até chegar onde chegou hoje. Espero que o simples ato de te fazer um cartão de biblioteca ainda te gere outras conquistas. Sua mãe conseguiu contribuir de alguma forma! Beijão da Ju!

    • Ju, muito obrigada pelo feedback! =)

      Eu realmente acredito (MESMO!) que pequenos gestos podem mudar o dia de uma pessoa e até a forma como ela age perante o mundo muitas vezes e a longo prazo.

      O grande problema, no momento, é que as pessoas estão cansadas e desesperançosas e não acreditam mais que pequenas atitudes reiteradas podem ser incorporadas. Muitos abraçaram o “eu nasci assim, eu cresci assim, Gabriela”. Acham que as coisas são como são e não há nenhuma esperança.

      Não é preciso abraçar o mundo. As mudanças podem ser plantadas dentro de casa e entre as pessoas próximas. E essas podem levar suas vivências para outros, multiplicando assim atitudes positivas. =)

      Grande abraço, Ju!

      Jana.


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