De cores, formatos e tamanhos variados, peças artísticas ou comerciais, esculturas ou utilitários, a cerâmica não só povoa o imaginário de Cunha, no interior de São Paulo, como passou a fazer parte de sua história – a cerâmica foi introduzida no município por volta de 1975 com a construção do primeiro forno Noborigama (de altas temperaturas) e tem influência indígena ibérica -, da sua construção identitária e, sobretudo, da economia da cidade – grande parte da população vive da produção ou comercialização de artefatos e peças de arte. Além de ser conhecida como a terra do Pinhão e do Fusca, Cunha também ganhou fama por seus múltiplos ateliês de cerâmica e pelas lojas dedicadas à comercialização destas peças, produzidas a partir de técnicas diversas e queimas em fornos do tipo Noborigama, a gás, Raku, à lenha e elétrico. Em nossa passagem pelo município, seguindo as dicas de Ana e Ciro Calfat, proprietários da Pousada Barra do Bié, fomos conhecer os principais ateliês e lojas da cidade.

  • Ateliê Carvalho Cerâmica
José Carlos Carvalho mostra uma de suas peças prontas para irem ao forno. Imagem: Erik Pzado

José Carlos Carvalho mostra uma de suas peças prontas para irem ao forno. Imagem: Erik Pzado

Forno preparado. Ateliê Carvalho Cerâmica, de José Carlos Carvalho. Imagem: Erik Pzado

Forno preparado. Ateliê Carvalho Cerâmica, de José Carlos Carvalho. Imagem: Erik Pzado

O Ateliê Carvalho Cerâmica figura entre os mais importantes da cidade e é uma das grandes referências da cerâmica de Cunha. José Carlos Carvalho, o simpático e atencioso ceramista, nem sempre teve a cerâmica como profissão. Durante grande parte de sua vida, Carvalho – como é conhecido – trabalhou como Diretor de Arte nas principais agências de publicidade de São Paulo e, em paralelo, cultivava o amor pela arte na cerâmica, que, na época, era apenas um hobby. Por volta de 1979, no entanto, o hobby passou a marcar maior presença na vida do ceramista, que utiliza técnicas elaboradas como o esgrafito, o esgrafito com colagem e a multiqueima – essa uma das mais fascinantes, que consiste em submeter a mesma peça a múltiplas queimas, revelando cores e nuances surpreendentes. Suas queimas chegam a 1240ºC em forno a gás.

Ateliê Carvalho Cerâmica, de José Carlos Carvalho. Imagem: Erik Pzado

Ateliê Carvalho Cerâmica, de José Carlos Carvalho. Imagem: Erik Pzado

Carvalho mostra uma de suas peças que trazem a ilusão de ótica como inspiração. Imagem: Erik Pzado

Carvalho mostra uma de suas peças que trazem a ilusão de ótica como inspiração. Imagem: Erik Pzado

As peças produzidas por Carvalho – sejam elas decorativas ou utilitárias – são únicas. São obras de arte delicadas, que o artista trabalha exaustivamente até atingir o que ele considera o ponto próximo à perfeição. Cada peça elaborada, segundo o ceramista, é uma experiência de superação. Para quem está montando um roteiro é importante saber: Carvalho não aceita encomendas. As peças à venda são as que estão expostas.

Técnica em cerâmica: esgrafito com colagem. Ateliê Carvalho Cerâmica, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

Técnica em cerâmica: esgrafito com colagem. Ateliê Carvalho Cerâmica, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

  • Informações sobre o Ateliê Carvalho Cerâmica:

– Endereço: Rua Gerônimo Mariano Leite, 190. Vila Rica, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-2483

– Site oficial: www.carvalhoceramica.com.br

Carvalho e sua esposa Ariadne: amor pela arte em cerâmica. Imagem: Erik Pzado

Carvalho e sua esposa Ariadne: amor pela arte em cerâmica. Imagem: Erik Pzado

  • Ateliê Suenaga e Jardineiro

A história de Kimiko Suenaga e Gilberto Jardineiro se confunde à própria história da expansão do trabalho com cerâmica em Cunha. Depois de dez anos, desde que foi montado o primeiro forno Noborigama na cidade (em 1975), Suenaga e Jardineiro chegam do Japão e introduzem o forno Noborigama de 4 câmaras e o ritual das aberturas de fornada para a visitação do público – tradição que se mantém até hoje. O Ateliê Suenaga e Jardineiro é um dos mais bonitos e interessantes de serem visitados.

Ateliê Suenaga e Jardineiro utiliza o forno Noborigama, que pode atingir até 1400ºC. Imagem: Erik Pzado

Etapas de queima da cerâmica. Ateliê Suenaga e Jardineiro, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

Etapas de queima da cerâmica. Ateliê Suenaga e Jardineiro, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

As queimas acontecem a cada 2 meses no forno Noborigama e a temperatura chega a atingir 1400 ºC. As peças passam pela pré-queima, pintura, esmalte e, por fim, para a vitrificação. Com a abertura da fornada, os visitantes podem ver de perto quando as peças são retiradas dos fornos e seu processo de mudança com o resfriamento lento. Suenaga e Jardineiro produzem não só peças de arte como também utilitários.

Boteriano? Ateliê Suenaga e Jardineiro, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

Boteriano? Ateliê Suenaga e Jardineiro, Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

Exposição de peças produzidas no Ateliê Suenaga e Jardineiro. Imagem: Erik Pzado

  • Informações sobre o Ateliê Suenaga e Jardineiro:

– Endereço:R. Dr. Paulo Jarbas da Silva, 150 – Mantiqueira, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-1530

– Site oficial: www.ateliesj.com.br

Exposição de peças produzidas no Ateliê Suenaga e Jardineiro. Imagem: Erik Pzado

Exposição de peças produzidas no Ateliê Suenaga e Jardineiro. Imagem: Erik Pzado

  • Oficina de Cerâmica – Augusto Campos e Leí Galvão
Oficina de Cerâmica, de Augusto de Campos e Leí Galvão. Imagem: Erik Pzado

Oficina de Cerâmica, de Augusto de Campos e Leí Galvão. Imagem: Erik Pzado

Mantida por Augusto Campos e Leí Galvão, a Oficina de Cerâmica também utiliza o forno Noborigama para as queimas das peças a 1350ºC. Os ceramistas se dedicam à produção principalmente de utilitários (tigelas, xícaras, vasos) e peças artísticas e aceitam encomendas. As cubas em cerâmica dos banheiros da Pousada Barra do Bié foram todas produzidas na oficina. As peças aqui são mais em conta, pois são produzidas em série.

Oficina de Cerâmica, de Augusto de Campos e Leí Galvão. Imagem: Erik Pzado

  • Informações sobre a Oficina de Cerâmica:

– Endereço: Av. Antônio Luís Monteiro, 816, Falcão, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-1937

– Site oficial: www.oficinadeceramica.com

Oficina de Cerâmica, de Augusto de Campos e Leí Galvão. Imagem: Erik Pzado

Oficina de Cerâmica, de Augusto de Campos e Leí Galvão. Imagem: Erik Pzado

  • Outros ateliês que você não pode deixar de conhecer:
  • Ateliê Mieko e Mário:

– Endereço: Rua Gerônimo Mariano Leite, 510, Vila Rica, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-1468

– Site oficial: miekoemario.sites.uol.com.br (Forno a lenha Noborigama)

  • Gaia Arte Cerâmica:

– Endereço: Rua José Arantes Filho, 286, Vila Rica, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-1716

(Forno a gás e queimas de Raku)

  • Ateliê de Cerâmica Flávia Santoro:

– Endereço: Rodovia Paulo Virgínio, Km 61,5 – Sítio Samadhi, Cunha, São Paulo.

– Tel: (12) 3111-8051

– Site oficial: www.flaviasantoro.com.br (Forno a gás, Raku, lenha a sal)

Observação: Grande parte das lojas, oficinas e ateliês ficam abertos até às 17:00 hs.

Busto de Dona Dita Paneleira, a última paneleira de Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

Busto de Dona Dita Paneleira, a última paneleira de Cunha, São Paulo. Imagem: Erik Pzado

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4 Comentários

  1. Adoro essas lojinhas e artesanato local! Ia ficar perdida aí! Não sabia que Cunha tinha tantos ateliês. Muito bacana!
    Bjs
    @viagempimpolhos

    • Erik PZado disse:

      A cerâmica do Seu Carvalho é uma coisa divina. Mostra literalmente o olhar do artista. A forma como ele brinca com a percepção e realiza os trabalhos com técnicas exclusivas, são realmente um deleite. O papo que tivemos durante a visita, valeu literalmente por uma aula de vida 😀

  2. Ai que lindo! Esses artesanatos sempre são bons de levar de recordação porque você coloca em casa e a viagem fica viva diariamente.

    Adorei!

    Beijos


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