Sobre a vez em que nadei com tubarões


Quando nasci, minha mãe me deu o nome de Janaína, um dos nomes da rainha do mar. Talvez seja por isso que cresci com tamanho fascínio pela imensidão dos oceanos, pelos seus mistérios, por suas cores e seus animais. Dentre minhas melhores lembranças de infância, estão minhas idas à praia de Jauá, a poucos quilômetros de Salvador, com suas águas calmas e seu grande quebra-mar, para onde eu nadava para ver de perto pequenos peixes, estrelas do mar e ouriços. Sentada, via as ondas rebentarem nas grandes rochas, trazendo as águas do outro lado – do lado profundo, do lado onde diziam haver tubarões. Nunca descobri, no entanto, se além do quebra-mar viviam realmente estes peixes fascinantes ou se tudo não passava de um artifício de minha mãe para eu não chegar perto demais da borda, correndo o risco de escorregar e me afogar. O certo é que mesmo nunca tendo visto um passear por aquelas bandas, assim como as sereias, cresci nutrindo um enorme fascínio por estes animais e imaginava o dia em que nadaria com eles.

Quebra-mar de Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado

Quebra-mar de Jauá, Bahia. Imagem: Erik Pzado

Enquanto este dia não chegava, assistia a todos os filmes e desenhos animados em que os tubarões fossem protagonistas: o clássico Tubarão de Spielberg, inspirado na obra de Peter Benchley (que li em três edições diferentes); as  continuações 2, 3 e 4 (inclusive aquela em que um grande branco salta e pega um helicóptero em pleno voo); filmes em que tubarões nadavam até de ré e desenhos como o Tutubarão (inclusive tatuei o personagem em minha perna esquerda!). Nhac, nhac!

Tutubarão, que vive majestosamente em minha perna esquerda. Imagem: Janaína  Calaça

Tutubarão, que vive majestosamente em minha perna esquerda. Imagem: Janaína Calaça

Entre filmes, documentários, livros e visitas a aquários, os tubarões povoaram absolutos o meu imaginário. Entre os meus projetos de vida, nadar com um desses animais sempre ocupou o topo de minhas aspirações. Não precisava ser um Grande Branco, nem um Tigre, afinal tenho apego à vida e estou muito longe de ser uma aspirante a Lawrence Wahba! Eu só queria realmente experimentar de perto a emoção que estes animais provocam em mim!


A oportunidade veio em agosto de 2009, durante uma viagem a Cancún, no México. Dentro da programação, havia uma visita ao eco parque Xcaret, onde era possível nadar com golfinhos e tubarões. Não tive dúvidas! Era a chance que eu tinha de nadar com esses animais, sem precisar fazer curso de mergulho, por exemplo. Era uma experiência simples, que envolvia apenas snorkel e nadadeiras. Dentro do nosso grupo estava a Lucia Malla, bióloga, cientista e blogueira que reúne, na vida, vários mergulhos com tubarões, inclusive de variadas espécies. Apesar de nadar com estes peixes em seus habitats, até a Lucia não deixou escapar a oportunidade e inclusive ajudou a Sheila, integrante de nosso grupo e também blogueira, a enfrentar seu medo e viver a experiência emocionante de nadar com esses incríveis peixes.

Tubarão lixa. Imagem: Erik Pzado

Tubarão lixa. Imagem: Erik Pzado

Antes de entrarmos no tanque para nadar com os tubarões-lixa, fizemos nosso primeiro contato com os animais. Os instrutores nos colocaram sentados nos degraus e os peixes aos poucos assentavam em nossas pernas. Foi assim que toquei pela primeira vez em um tubarão. Depois de passada a primeira emoção, era hora de entrar na água. Um misto de medo, fascínio, medo de novo e emoção me acompanhou no primeiro mergulho. Todos desciam sozinhos, mas acompanhados de perto pelos instrutores. Livremente, cada um vivia seu momento. Obviamente nadar em um taque é bem diferente de nadar em alto mar, no habitat natural destes animais, em ambiente não controlado. Mesmo assim, vivi meu momento, com todas as emoções e sustos associados, quando, por exemplo, um deles passou por entre minhas pernas e eu engoli uns bons goles d’água!

De início, apenas os observava nadando abaixo de mim através da lente do snorkel. Permanecia na superfície, ressabiada. Com o passar dos minutos, no entanto, resolvi avançar um pouco mais, agarrando-me àquela oportunidade. Fiz algumas apneias para chegar mais perto dos tubarões, ver seus olhos, suas barbatanas e a forma como nadavam calmamente entre nós. Muitos, no entanto, se escondiam no fundo do tanque, evitando contato. Respeitávamos mutuamente os nossos espaços. Nesta busca, fiquei até os instrutores começarem a nos chamar de volta. Era a hora de deixá-los descansar de nossa presença. Os breves momentos, no entanto, permaneceram em mim como lembrança constante. Nesse dia, me senti novamente a menina que imaginava nadar com sereias e com os animais que vivem no mar. Esqueci que estava em um tanque, esqueci dos medos, me senti completa. Completa e em harmonia ao lado deles. Feliz, nadando com tubarões.

Tubarão lixa. Imagem: Erik Pzado

Tubarão lixa. Imagem: Erik Pzado

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4 Comentários

  1. Rafael disse:

    Que coisa curiosa: quando eu assisti ao filme Tubarão (o clássico) eu fiquei foi com medo de entrar no mar. Engraçado como as reações podem ser diferentes. Ótimo post, muito legal de ler =)

  2. Sheila Machado disse:

    Gente, eu estava lembrando disso outro dia! Me tremi toda, mas consegui!
    Bjs!


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