Comunicação “alternativa” em viagens internacionais


Desde que o mundo é mundo, as pessoas tentam se comunicar, seja por linguagem verbal, por sinais, gestos, linguagem corporal, enfim, há mil maneiras de se preparar Neston e as possibilidades de comunicação são infinitas. Durante os processos de ocupação e colonização, que se deu no período das grandes navegações, línguas emergenciais surgiram para que uma comunicação mínima entre colonizador e colonizado existisse, ou seja, como disse anteriormente, o povo sempre se vira para passar sua mensagem e ser compreendido. Na falta do que fazer, naqueles momentos entre o café e o pão ou entre as tentativas de fotografar uns lugares, presenciamos algumas cenas, como disse, peculiares, sobre a tentativa do povo se comunicar quando não sabe uma palavra além de “si”, “no” e “gracias” em espanhol, durante umas férias que passei na Argentina. Vou narrar algumas destas situações.

Jegue-Tón tentando se comunicar

Jegueton tentando “hacer una “ligación”

Situação 1: O café da manhã – Método de comunicação: Mímica e portuñol.

Estava eu tomando meu café preto quente pra burro, no refeitório do hotel, quando um senhor levanta de sua mesa indignado, porque entre as opções que existiam no buffet não havia ovo frito. O senhor então, ignorando os pedidos para que deixasse pra lá de sua esposa, que às 8:00 da manhã já estava devidamente maquiada, depois de ter passado pela sua pia batismal de base e pancake, se dirige para a moça encarregada da reposição dos pães, frutas, etc. A moça, obviamente, fala espanhol. O senhor, obcecado por ovos fritos, não sabe uma palavra em espanhol. O que fazer agora? Dançar um tango argentino? Não! Nosso obcecado por ovo então começa seu balé para fazer a moça entender o que queria. “Yo quiero un” … e fazia círculos no ar. Detalhe: os ovos são ovais e não mandalas. Quando a moça, colocando pra funcionar toda sua capacidade de compreender sinais esdrúxulos, entende que é ovo, e solta um “Ah! Huevo!!!”,  a batalha agora era entender que ele queria ovo mexido. Mais mímicas. A esposa vira o rosto para a janela, fingindo não conhecer o marido, e sinto um riso no rosto da moça da cozinha. Agora o senhor finge estar com uma frigideira nas mãos e mexe algo no ar. Ovo… mexido… E mexe… No fim das contas, a moça entende e o nosso mímico do café da manhã atinge o seu objetivo: ovos fritos mexidos.

Situação 2: Sessão de fotos para o Jeguiando na Recoleta. Método de comunicação: Falar português pausadamente para que o suposto falante de espanhol compreenda.

Estávamos caminhando pela Recoleta, onde fazíamos umas fotos para o Jeguiando. Por alguma razão, devemos ter algum tipo de radar para detectar coisas toscas ou sermos vítimas de tosqueiras em geral. Com a câmera nas mãos, comecei a fotografar um monumento que existe na Recoleta, uma flor fotossensível, que se abre com o sol e acompanha seu movimento. De repente, um casal me aborda. O rapaz permaneceu calado e a esposa-namorada-tico-tico-no-fubá dele começou a tentar falar comigo, achando que eu era argentina. O método empregado pela moça: falar pausadamente português. “Oiiiiii… po…de…. ti…rarrrr… u…ma… fo…to… nos…sa…. U…ma… fo…to… de … nós… do…is…” Vendo o desespero nos olhos da mocinha, eu respondi “posso, claro” e ela me entregou a câmera desligada, afirmando que estava ligada. Tirei a foto do casal, fiz dois seres humanos felizes e depois comecei a desenvolver a minha teoria: o segredo da comunicação entre falantes de línguas distintas é se falar pausadamente? O… lá… tu…do… bem… Seremos todos poliglotas! Eba!!!!

Situação 3: Homem comprando um “sapatênis” na Calle Florida. Método de Comunicação: Falar aos gritos em português para ver se o atendente, falante de espanhol, o compreenderia perfeitamente.

Estávamos caminhando pela Calle Florida, nossos pés doíam, quando paramos para olhar não-sei-o-que na rua, quando, de dentro de uma loja de sapatos, um homem, com seu filho, está tentando se comunicar com o atendente da loja. Portando um alto-falante amplificado natural, instalando majestosamente em suas cordas vocais, o moço gritava e gesticulava (este também era adepto da mímica), querendo saber se a loja vendia sapatênis. “VOCÊS TRABALHAM COM SAPATÊNIS?”. Nem o tangão que tocava na loja de discos ao lado conseguia abafar os gritos do senhor. Moral da história: Moço, não é que o atendente seja surdo… Ele só fala outra língua, né? Além do que,  segundo um amigo, sapatênis é uma aberração que só existe no Brasil.

Bom, fora o nosso velho e bom Portuñol, que, segundo uma amiga minha, é sem dúvida o idioma do futuro, as formas de comunicação alternativas são, como disse, uma tanto quanto peculiares e múltiplas. Não há como passar aperto quando você sabe mímica, conversa em slow motion ou possui um amplificador na garganta. Tudo em nome da necessidade de se fazer entender. 😉

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