Em um país com dimensões continentais como o Brasil, é muito fácil cometer injustiças. A megalomania em relação ao tamanho é constantemente reafirmada por uma sociedade que muitas vezes prima em repetir que o maior é o melhor. Quem acompanha a nossa forma de viajar, entende bem que o maior é simplesmente maior e que o melhor assim o é não por questões associadas ao tamanho, mas sim às experiências proporcionadas por determinado espaço e, acima de tudo, à autenticidade dessa experiência. Com isso em mente, em novembro de 2013 participamos de uma viagem para o Espírito Santo à convite da Secretaria de Turismo do ES em parceria com o Sebrae para descobrir o que o destino reserva em termos de experiências para o viajante – que ainda não pensou em adicioná-lo aos seus planos de conhecer as belezas reunidas no território brasileiro.

A nossa viagem ao Espírito Santo ocorreu como parte de uma ação de resgate da identidade do Estado, onde, juntamente com blogueiros de outros veículos, tivemos a oportunidade de entender um pouco mais sobre a dinâmica dessa região do Brasil, dividida entre a serra e o litoral, onde cada relevo tem história e colonização distintas, tornando-o singular em diversos sentidos. Com essa ideia em mente, a Secretaria de Turismo está posicionando o destino como uma espécie de curinga (no bom sentido), capaz de atender e satisfazer às expectativas tanto do povo do Mar, quanto do povo das Montanhas.

Para representar de forma didática a nossa experiência no Espírito Santo, decidimos escrever um post introdutório sobre a viagem, reunindo os principais locais visitados e vivências para depois nos aprofundarmos nos demais posts naquilo que nos chamou mais a atenção durante a visita ao Estado. O presente post, dessa forma, é um “esquenta” para o que vem por aí e já ajuda a entender um pouco dessa terra dividida entre a serra e o mar.

Vista noturna de Vitória-ES a partir da Ilha do Boi. Imagem: Erik Araújo

Vista noturna de Vitória-ES a partir da Ilha do Boi. Imagem: Erik Araújo

Pedra do Lagarto, Parque Estadual da Pedra Azul, ES. Imagem: Erik Araújo

Pedra do Lagarto, Parque Estadual da Pedra Azul, ES. Imagem: Erik Araújo

  • A região litorânea

Quem desembarca na capital do Espírito Santo, Vitória, deve ter em mente que o clima litorâneo influencia a dinâmica da cidade, assim como a sua gastronomia – marcada pela presença de peixes e frutos do mar em essência, principalmente o siri –, e até algumas atividades econômicas tradicionais, como a produção de panelas de barro à beira dos manguezais.

Regido pela presença do mar, o Espírito Santo resguarda em seu território praias voltadas para diversos perfis, sendo que as mais famosas são a de Camburi, localizada em Vitória, e Guarapari, que dista aproximadamente 50Km da capital e que atrai grande parte dos turistas do estado e de Minas Gerais (não é à toa que Guarapari ficou conhecida como a “praia dos mineiros”).

Ilha das Caieiras, ES. Imagem: Erik Araújo

Ilha das Caieiras, ES. Imagem: Erik Araújo

Guarapari-ES. Imagem: Erik Araújo

Guarapari, ES. Imagem: Erik Araújo

Além das belas praias do Espírito Santo – um dos seus maiores atrativos –, o estado ainda resguarda em seu território tradições que atravessam gerações e belos conjuntos arquitetônicos centenários. Falo do Núcleo das Paneleiras de Goiabeiras em Vitória, cujo processo de produção das panelas de barro foi tombado pelo IPHAN como patrimônio imaterial no Estado, e do belíssimo Convento da Penha, um dos santuários religiosos mais antigos do Brasil (1558) localizado em Vila Velha – sede de uma das maiores fabricantes de chocolate do país. Seja através dos manguezais ou da vista para o mar do alto do convento, o oceano no Espírito Santo confirma sua onipresença.

Panelas de barro das Paneleiras de Goiabeiras, ES. Imagem: Erik Araújo

Panelas de barro das Paneleiras de Goiabeiras, ES. Imagem: Erik Araújo

Convento da Penha, ES. Imagem: Erik Araújo

Convento da Penha, ES. Imagem: Erik Araújo

  • A região serrana

Mas não só no mar, o Espírito Santo encerra suas belezas e atrativos. Igualmente bela, a região serrana capixaba destaca-se por seu relevo, marcado por planaltos, serras e picos, com destaque para o Pico da Bandeira – um dos picos mais altos do Brasil – e a Serra do Caparaó – localizada no Parque Nacional do Caparaó –, e também pela forte influência italiana presente nas cidadezinhas que se encontram localizadas em seu território.

A colonização italiana na região serrana do Espírito Santo deu-se em grande parte no século XIX, em que diversos imigrantes provenientes da país se estabeleceram no território que hoje compreende a cidade de Venda Nova do Imigrante. Por ser um local isolado e de difícil acesso no período de sua colonização, a região tornou-se conhecida por manter fortes traços da cultura italiana, já que a miscigenação com outros povos não foi uma prática comum dado o isolamento geográfico.

Tradição italiana viva nos dias de hoje em Venda Nova do Imigrante, ES. Imagem: Erik Araújo

Tradição italiana viva nos dias de hoje em Venda Nova do Imigrante, ES. Imagem: Erik Araújo

A forte influência da cultura italiana acabou tornando a região um destino gastronômico interessante, que encontra seus maiores destaques no agroturismo e nos itens produzidos pelos locais, como queijos especiais, compotas, biscoitinhos e o famoso Socol, um embutido originariamente obtido a partir do pescoço de porco e posteriormente evoluído para a utilização de carnes suínas mais nobres como o lombo.

Ainda seguindo os traços da influência italiana na gastronomia serrana, a polenta, herança da colonização, tem sido utilizada de maneira inovadora por alguns empreendimentos da região, como na produção de pizzas e bobós de camarão, reforçando a multiplicidade de experiências que o Espírito Santo pode oferecer tanto em termos de belezas naturais, como em incursões gastronômicas.

Socol, uma iguaria regional serrana. Imagem: Erik Araújo

Socol, uma iguaria regional serrana. Imagem: Erik Araújo

Pizza de polenta, influência duplamente italiana na gastronomia serrana. Imagem: Erik Araújo

Pizza de polenta, influência duplamente italiana na gastronomia serrana. Imagem: Erik Araújo

Além da vocação para o agroturismo – que encontra nas fazendas, nos empreendimentos familiares e nos produtos locais seus maiores atrativos –, a região serrana do Espírito Santo também encontra sua vocação no turismo de aventura. Não é à toa que o maior circuito de arvorismo da América Latina, o arvorismo da Selva Sassiri, encontra-se localizado justamente no estado, atraindo visitantes de várias partes do país, que queiram se aventurar nos seus múltiplos níveis de dificuldade.

Maior circuito de arvorismo da América Latina. Imagem: Erik Araújo

Maior circuito de arvorismo da América Latina. Imagem: Erik Araújo

Além do circuito de arvorismo, a serra capixaba ainda reserva aos visitantes o romantismo dos destinos de montanhas, principalmente na região que compreende a icônica Pedra Azul. É lá onde se concentra a grande maioria das pousadas de charme da serra capixaba, ideais para viagens a dois e de lua de mel, pelas paisagens bucólicas e pelo clima aconchegante que as montanhas encerram.

Pedra Azul. Imagem: Erik Araújo

Pedra Azul. Imagem: Erik Araújo

Entre a serra e o mar, o Espírito Santo é múltiplo em suas vertentes e seu maior atrativo não encontra-se em estar próximo ao Rio de Janeiro e a Minas Gerais, como muitos, infelizmente, acreditam. Pontuado por belas praias, marcado pelas singularidades da região serrana, pelos sabores que extrapolam a moqueca capixaba, o Espírito Santo é um destino que guarda histórias, tradições, interessantes conjuntos arquitetônicos e belezas naturais particulares. Para os viajantes de coração aberto, o destino acolhe e surpreende.

Esperamos que esta rápida introdução sobre o que está por vir no Jeguiando sobre o Espírito Santo tenha despertado um pouquinho mais a curiosidade de nossos leitores sobre esse destino pontuado de riquezas naturais, culturais, religiosas e, acima de tudo, ainda pouco conhecido pelo turista brasileiro. Aguardem nossas próximas postagens! =)

E para não falar que não falamos dela, Moqueca Capixaba. Imagem: Erik Araújo

E para não falar que não falamos dela, Moqueca Capixaba. Imagem: Erik Araújo

  • Agradecimentos:

Agradecemos o convite da Secretaria de Turismo do ES – SETUR do Espírito Santo e do Sebrae-ES para participar do 1˚ Blog Trip Capixaba.

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