Um exercício interessante que muitas pessoas fazem antes de viajar é imaginar como um destino é e depois, já em terra, fazer a comparação com aquilo que imaginou. Uma outra forma de “viajar antes da viagem” é buscar algumas referências do destino, seja através de livros, fotos e filmes. Tive meu primeiro contato com Paris através da literatura e, depois, através do cinema. Dos livros que li e que faziam referência à cidade, lembro bastante dos de Eça de Queiroz, autor português do século XIX. Eça “desenhava” Paris como referência de modernidade e a cidade sempre aparecia à frente de seu tempo, lançando tendências e sendo alçada como um importante polo cultural. No entanto, o que mais me recordo dessas leituras são as referências à Montmartre, berço da boemia parisiense e local frequentado por muitos artistas do século XIX e do ínicio do século XX, como Cézanne, Monet e Van Gogh, por exemplo. Montmartre também é, ainda, uma mistura entre o sagrado e o profano. Ao mesmo tempo que foi eternizada pela boemia e pelos artistas, o local também ficou conhecido como um destino de peregrinação religiosa na Idade Média e, depois, pela presença da suntuosa Basilique du Sacré-Cœur. Aos seus pés, a boemia figurada pela presença do Moulin Rouge. Em seu topo, o sagrado representado pela Basilique du Sacré-Cœur.

  • Uma caminhada por Montmartre, o Moulin Rouge e a linda Basilique du Sacré-Cœur – Paris, França

– O Moulin Rouge

Moulin Rouge durante o dia. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Moulin Rouge durante o dia. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Moulin Rouge durante o dia. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Moulin Rouge durante o dia. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Para fazer uma caminhada por Montmartre, vá sem pressa. Não desperdice o charme do lugar. Reserve, pelo menos, uma manhã ou uma tarde para a visita. Chegando aos seus pés, na zona de Pigalle, no Boulevard de Clichy, você encontrará o Moulin Rouge, o famoso cabaré construído em 1889 por Josep Oller, que tornou-se uma das marcas de Paris (vide os diversos souvernires vendidos ao longo da cidade, que disputam a atenção com a famosa Torre Eiffel) por seus espetáculos e por suas dançarinas. O Moulin Rouge, na grande maioria das vezes, aparece retratado aceso e brilhante (no entanto, como o conheci pela manhã, ele se encontrava sóbrio e apagado).


O grande moinho vermelho tornou-se tão famoso que ganhou, inclusive, um filme com seu nome, estrelado pelos atores Ewan McGregor (no papel de Cristian) e Nicole Kidman (no papel de Satine). Lançado em 2001, o filme contava a história do amor entre Cristian, um escritor pobre, e Satine, uma das grandes e desejadas dançarinas do Moulin Rouge, que, muito mais que cenário, era também protagonista, dando vida aos dramas vivenciados pelo casal. O cabaré, ainda hoje, é palco de espetáculos e vale uma visita. =)

– Arte pelas ruas boêmias de Montmartre

Street art. Imagem: Janaína Calaça

Street art. Imagem: Janaína Calaça

Subindo Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Subindo Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Enquanto você sobe a ladeira que te levará ao alto de Montmartre e à Basilique du Sacré-Cœur, não deixe de reparar, aos poucos, na presença de intervenções urbanas de Street Art pelas ruas. Montmartre, como disse anteriormente, ficou conhecida pela grande presença de artistas locais por suas ruas, que encontram na região um espaço para divulgar sua arte e vender suas produções.

Subindo Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Subindo Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Chegando ao alto de Montmartre, os artistas e pintores aparecem. Em sua grande maioria, trabalham fazendo caricaturas de turistas ou vendendo telas que retratam o cotidiano parisiense ou os pontos turísticos mais famosos da cidade. Expõem seus trabalhos nas ruas, aguardando o olhar curioso dos viajantes que queiram levar para casa fragmentos em tinta de Paris.

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

Artistas locais vendem seus trabalhos nas ruasboêmias de Montmartre. Imagem: Janaína Calaça

– Refeições em Montmartre:

Por ser um local extremamente turístico, as opções de restaurantes, bistrôs e lugarzinhos para comer é grande. É irresistível chegar até lá e não fazer nem uma paradinha para um café e curtir o charme das mesinhas nas calçadas e o vai-vém dos passantes. No entanto, é bom estar atento a um detalhe também: como Montmartre é super turística, é preciso saber escolher onde fazer uma refeição para não sair com os bolsos “furados”! Muitos restaurantes são bem “pega-turistas”, colocam preços chamativos nas portas (de combinações de entrada, prato principal e sobremesa a 10 ou 15 euros) e, depois, aparecem “trocentas” taxas e você sai de lá com uma conta de 45 a 50 euros para pagar. E isso aconteceu comigo e com meus companheiros de viagem Pamela e Thiago! Thiaguinho, do blog Rodei, inclusive conta de forma detalhada o nosso “drama” no post “Em Paris, como um restaurante barato pode custar os olhos da cara“.

Pelas calçadas, locais e visitantes se reúnem em pequenos restaurantes. Imagem: Janaína Calaça

Pelas calçadas, locais e visitantes se reúnem em pequenos restaurantes. Imagem: Janaína Calaça

Sorrindo antes da conta de 45 euros cada! Imagem: Janaína Calaça

Sorrindo antes da conta de 45 euros cada! Imagem: Janaína Calaça

Depois de uma caminhada das boas, Pam, Thiaguinho e eu estávamos, literalmente, vesgos de fome. Então, fomos fazer uma busca de onde poderíamos parar para almoçar. Geralmente, vale muito a pena pegar o “Le Plate du Jour” (o prato do dia) e os preços variavam de 10 a 20 euros. Ficamos receosos de apostar no de 10 euros e escolhemos almoçar no Au Clairon des Chasseurs. Por 15 euros, teria entrada, prato principal e sobremesa. Opa! Estava lindo! A sopa de cebola era fantástica, mas o espaguete à bolonhesa era comum. No fim, de sobremesa, um mousse de chocolate. Uma refeição ok! Pedi uma taça de vinho branco para acompanhar (4 euros) e tudo ía bem até a conta chegar às nossas mãos. Entre taxas, 10% e toda sorte de valores que não sei de onde surgiram, nossas contas foram parar em 45 euros (cada). Depois do susto, a lição de que a máxima de que “esmola demais o santo desconfia” ainda não caiu em desuso!

Entrada. Imagem: Janaína Calaça

Entrada. Imagem: Janaína Calaça

Espaguete a bolonhesa. Imagem: Janaína Calaça

Espaguete a bolonhesa. Imagem: Janaína Calaça

– A linda Basilique du Sacré-Cœur

Depois de pagarmos nossos pecados (ops!) nossa conta no restaurante, continuamos nossa visita por Montmartre. Em poucos minutos, chegamos à Basilique du Sacré-Cœur, um dos principais atrativos da região, além do Moulin Rouge. A basílica não é exatamente antiga – foi terminada em 1914, no início do século XX, o que não a torna menos importante por isso. Sua construção foi realizada como uma espécie de pagamento de promessa, feita durante a guerra Franco-Prussiana, que ocorreu em 1870. Se a França resistisse à invasão alemã, a basílica seria erguida em homenagem ao Sagrado Coração. E assim foi!

A linda Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

A linda Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Cúpulas da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Cúpulas da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Além da visita imperdível à Basilique du Sacré-Cœur, chegar ao topo de Montmartre também significa que você chegou a um dos locais da cidade com uma das vistas mais privilegiadas de Paris (além da vista do alto do Arco do Triunfo, que acredito ser igualmente fantástica). Do alto de Montmartre, é possível vislumbrar grande parte da cidade, o que atrai vários fotógrafos e entusiastas de fotografia para este cantinho de Paris. De lá, uma longa escadaria leva os visitantes novamente aos pés de Montmartre.

Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

  • Algumas dicas sobre Montmartre:

– Com ruas de calçamento de paralelepípedos (depois da chuva, extremamente escorregadias), sugiro fazer uma caminhada por Montmartre com calçados bem confortáveis e de preferência antiderrapantes;

– Montmartre é um ótimo lugar para comprar souvenires de Paris. A grande variedade de lojinhas faz com que os preços sejam competitivos. Dá para encontrar lembrancinhas das mais clichês às mais criativas por preços bacanas;

– Há várias padarias e docerias por lá. Vale a pena fazer uma parada para um café, pãozinho ou doce;

– Cuidado com os restaurantes de preços milagrosos. Dê uma olhada nos preços dos refrigerantes e bebidas antes de pedir e procure saber sobre as taxas para não ter surpresas depois;

– Reitero o que disse no início do post: não visite Montmartre com pressa. Visite com tempo e com vontade mesmo de conhecê-la!

Bon voyage! E… #VamosParaAFrança

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

  • Agradecimentos:

À Atout France pelo convite e por acreditar em nosso trabalho;

Aos amigos Pamela Fernandes e Thiago Khoury, pela companhia, pelos dias de riso, pelas boas histórias, por viverem comigo dias singulares e que guardarei na memória;

Ao Erik, meu amor, com quem voltarei à França um dia e que certamente fará fotos muito melhores do que as minhas. :)

Visite:

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Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Vista de Paris a partir da Basilique du Sacré-Cœur. Paris, França. Imagem: Janaína Calaça

Carrossel. Imagem: Janaína Calaça

Carrossel. Imagem: Janaína Calaça

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5 Comentários

  1. apartamentos disse:

    Adorei seu roteiro, semana que vem também estou indo rs.

  2. Olá Janaína,

    Excelente reportagem…. Paris é sempre linda….
    Notei que as tuas fotos são bem antigas. A Praça du Tertre onde ficam os pintores está muitissimo diferente. Vi pela tua postagem a data de 3/4/2013. Estivemos em Paris de 01 a 14/05/2013 e a praça já está diferente desde há muito tempo. Não falastes no bondinho que nos leva até a Basíliaca du Sacré Coeur.
    É uma dica interessante para os maiores de idade que nem nós….(60)…. No mais, parabéns!!!!

    • Olá, Francy! Tudo bem?

      Francy, estive em Paris no fim de novembro, no início do inverno. =) Produzi, no entanto, este post meses depois, talvez por isso haja diferença nas fotografias. =)

      Um grande abraço,

      Jana.


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