Há algum tempo a Patagônia fazia parte da minha wishlist. Através de fotografias e documentários, o destino sempre me atraiu, principalmente por suas paisagens ermas, pelas imagens de seus lindos glaciares azuis, pela possibilidade de ver vários animais soltos em seus habitats, como guanacos (um tipo de lhama), pumas, lobos marinhos e ainda pela curiosidade de viajar e conhecer o “fim do mundo” – é lá que se encontra a cidade mais austral do planeta – Ushuaia – e de onde partem os cruzeiros para a Antártica, devido à sua posição privilegiada ao extremo sul das Américas. A Patagônia é também uma região pertencente a dois países: Chile e Argentina, sendo o Parque Nacional Torres del Paine o maior atrativo da Patagônia Chilena e a Tierra del Fuego, o da Patagônia Argentina.


Glaciar de Grey ao fundo. Parque Nacional Torres del Paine, Patagônia Chilena. Imagem: Janaína Calaça

Glaciar de Grey ao fundo. Parque Nacional Torres del Paine, Patagônia Chilena. Imagem: Janaína Calaça

Entre os dias 2 a 8 de setembro, a convite do Turismo Chile, do Servicio Nacional de Turismo de la Región de Magallanes y Antártica Chilena e da Cámara de Empresarios de Turismo Austro Chile, participei da 3ª Expocom Patagonia Integrada Chile & Argentina – Encuentro Internacional de Empresarios Turisticos de la Patagonia, que consiste na capacitação de destinos, através de workshops com expositores da Patagônia Chilena e Argentina e rodas de negócios com as principais operadoras de turismo, os principais hoteleiros e representantes de produtos turísticos da região. Lá, tive a oportunidade de conhecer através dos encontros alguns atrativos e atividades não tão divulgadas no Brasil (falarei disso mais tarde), além de conhecer e vivenciar um pouco da experiência que é conhecer a Patagônia (com direito a todo vento, frio e belezas naturais de que ouvimos tanto falar!). Antes, no entanto, de partir para a viagem em si, resolvi montar um tutorial básico para quem está com planos de viajar para o destino. Lembro apenas que conheci a Patagônia Chilena, logo meu relato e informações estão voltados para esta região.

Cordilheira dos Andes vista do avião. Imagem: Janaína Calaça

Cordilheira dos Andes vista do avião. Imagem: Janaína Calaça

  • Uma forma de chegar à Patagônia Chilena partindo do Brasil

Uma das formas de chegar à Patagônia Chilena é através de sua porta de entrada: Punta Arenas. No Brasil, uma das opções é partir de São Paulo, fazer uma escala em Santiago e seguir para Punta Arenas (PUQ). De Punta Arenas, a dica é partir para Puerto Natales e, de lá, seguir para o Parque Nacional Torres del Paine (que não pode faltar no roteiro!). Entre Punta Arenas e Torres del Paine, todo o trajeto foi feito por terra dentro de um ônibus (utilizamos a operadora de turismo Comapa, especializada em Patagônia).

  • Fuso Horário

Viajando para a Patagônia, você deverá atrasar em uma hora seu relógio. A Patagônia está a -1 hora em relação ao horário de Brasília. Atente-se apenas ao horário de verão. Neste caso, a diferença aumenta para 2 horas.

Natureza. Patagônia Chilena. Imagem: Janaína Calaça

Natureza. Patagônia Chilena. Imagem: Janaína Calaça

  • Como é a Patagônia em cada época do ano

A Patagônia não é a mesma durante o ano. Apesar de parecer algo meio óbvio, não é. Muitas regiões do globo não possuem as estações do ano bem definidas, logo viajar em qualquer época do ano pode não fazer tanta diferença assim. No caso da Patagônia, o melhor é você definir qual é a sua prioridade: esquiar, participar de trilhas, contemplar os lindos glaciares azuis?

– Para esquiar, viaje no inverno (atente-se apenas para o fato das temperaturas caírem substancialmente);

– Para fazer trilhas, opte pelo verão;

– Para ver a Patagônia em toda sua exuberância (glaciares, flores, animais), viaje na Primavera;

– Para quem busca temperaturas mais amenas e menos chuva, opte pelo período entre novembro e março.

  • Moeda utilizada na Patagônia Chilena

A moeda utilizada na Patagônia Chilena é o Peso Chileno e, em alguns locais, o dólar americano. Há uma certa dificuldade em encontrar Peso Chileno no Brasil, mas consegui pelo menos o básico para pequenas refeições e outras despesas menores. A opção é tentar comprar o Peso no próprio aeroporto de Santiago, por exemplo, ou levar um cartão de débito recarregável do tipo VTM (Visa Travel Money), que você consegue adquirir nas casas de câmbio do Brasil e sacar em moeda local.

  • RG ou Passaporte?

Apesar do acordo existente entre os países do Mercosul de que podemos viajar para o Chile, Argentina, Colômbia, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e Venezuela apenas com o RG, eu prefiro sempre viajar com o Passaporte em mãos, para evitar problemas. Estando o seu passaporte renovado antes dos 6 meses de vencimento da validade, o risco de dar “perrengue” em sua viagem é quase nulo. Já com o RG, você corre o risco de ser barrado por alguma razão esdrúxula. Logo, é bom não arriscar.

  • Vestuário para enfrentar o frio da Patagônia

Este, sem dúvidas, foi o meu maior ponto de tensão na viagem. Não adianta ter casacos bem quentes, se não tem algo que segure o vento da Patagônia (o vento é forte e, sobretudo, bem frio). Como o Erik diz… É preciso ter o hardware correto, logo o ideal é correr para uma loja especializada (foi o que fiz). Basicamente comprei o seguinte: uma segunda pele térmica, um casaco polar 40 e uma capa quebra vento (impermeável com gorro). Para os pés, optei por comprar um tênis de trekking impermeável, em vez de botas de neve (afinal o tênis eu usaria em outros momentos). Uma calça jeans com uma calça térmica por baixo segura a onda, mas se você pegar uma chuva, vai sofrer! Logo… não faça como eu! Leve na mala uma calça impermeável também. Para as mãos, luvas de preferência impermeáveis. Não esqueça um bom cachecol e um gorro bem quente. É preciso proteger bastante as extremidades e as orelhas do frio. Não deixe de levar também: protetor solar, protetor labial e óculos de sol.

Em Playa de Santa Ana. Patagônia Chilena. Imagem: Jeguiando

Em Playa de Santa Ana. Patagônia Chilena. Imagem: Jeguiando

  • Lidando com as mudanças climáticas

O tempo muda o tempo todo na Patagônia, logo viaje consciente e, de preferência, com uma folguinha de dias! Não tem como dar chilique contra a natureza! Se no dia do passeio programado cair um temporal, se na visita a Torres del Paine um nevoeiro encobrir todo o maciço de montanhas, se o vento forte impedir a saída da embarcação que te levaria aos glaciares, não adianta sofrer! Com uma folguinha de dias, você consegue remarcar os passeios. Em Torres del Paine, por exemplo, recomendo dois ou três dias por lá, justamente para conseguir ver tudo.

  • Seguro Viagem

Mesmo que o seu santo seja forte ou que o seu anjo da guarda faça hora extra, nunca (NUNCA) viaje para outro país sem um seguro de viagem. Em alguns países, inclusive, você só entra com o seguro em mãos. O seguro viagem não só garante assistência médica, como outros serviços, inclusive traslados para o país de origem em caso de morte.

Los vinos! Imagem: Janaína Calaça

Los vinos! Imagem: Janaína Calaça

  • Vinhos! Posso trazer?

Os vinhos chilenos, assim como os argentinos, fazem geralmente parte da lista de compras de quem viaja para estes países. No entanto, há uma restrição de 24 unidades de bebidas alcoólicas, observado o quantitativo máximo de 12 unidades por tipo de bebida. Caso você compre os vinhos em um mercado local, por exemplo, terá que despachar. A bordo, só é permitido levar o que é comprado no Duty Free Shop. Se você tem tempo, vale passar em mercados. Sai mais em conta!

  • Gastronomia: o que experimentar na Patagônia

Conhecer a gastronomia local é parte essencial de uma viagem. Através dos pratos e bebidas típicas, o viajante conhece um pouco da cultura da região visitada, a economia local, os sabores, as formas tradicionais de preparo, as influências externas etc. Estando na Patagônia Chilena, não deixe de experimentar: o cordeiro patagônico assado em espetos fincados no chão, as saborosas empanadas chilenas, pratos que levem truta, salmão e sentollas (caranguejo), sorvete de calafate (uma frutinha típica da região), alfajores e, para beber, Pisco Sour! Fica a dica! 😉

Cordeiro patagônico. Imagem: Janaína Calaça

Cordeiro patagônico. Imagem: Janaína Calaça

Quer saber mais sobre a Patagônia Chilena e sobre o Chile em geral, acesse o site oficial do Turismo no Chile: http://www.chile.travel/ ou acompanhe as novidades através de sua fanpage: https://www.facebook.com/chiletravelguide

Observações importantes: Por ser uma viagem internacional, é aconselhável fazer um seguro de viagem. Viajou para longe de casa, não deixe de fazer um seguro!

  • Agradecimentos

Ao Turismo Chile, ao Servicio Nacional de Turismo de la Región de Magallanes y Antártica Chilena e à Cámara de Empresarios de Turismo Austro Chile pela oportunidade de conhecer a incrível Patagônia Chilena; a Jorge Guazzini e Pía Moya pela confiança em meu trabalho e por todo suporte e um agradecimento especial à minha querida Mari Campos.

Empanadas chilenas. Imagem: Janaína Calaça

Empanadas chilenas. Imagem: Janaína Calaça

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Um comentário

  1. Luis Seco disse:

    Obrigado por empurrar a Patagónia ainda mais para cima nos meus planos de viagem. Boas viagens.


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