Jeguiando

Amarrando jegues com estilo!

Clichês de viagem (Parte I) – Buenos Aires

Posted by Fabio & Jana On agosto - 23 - 2009

Demoramos, mas finalmente conseguimos fazer o que havíamos prometido no começo do ano! Apresento-lhes o PodJegue, o podcast do Jeguiando.

Para essa primeira edição, traremos os clichês de viagem, mais exatamente os clichês argentinos. Foi muito divertido gravar o podcast e esperamos que vocês gostem de nos ouvir! Estão esperando o que, meu povo? Basta clicar no play do player logo abaixo. Quem preferir pode assinar o Podjegue no seu agregador de podcasts como o iTunes ou gPodder e depois ouvir no seu MP3 player favorito. O endereço é http://feeds.feedburner.com/podjegue.

Para quem não estiver muito a fim de escutar nossas belíssimas vozes, logo depois do player segue o texto com o conteúdo do podcast, mas posso assegurar que no áudio a coisa tá muito mais legal, pois, além dos clichês apresentados, trazemos algumas historinhas interessantes, tiradas inteligentes, algumas polêmicas futebolísticas e música! Aproveitem!

Ah! Pretendemos fazer o PodJegue em edições mensais! :)

 

Se preferir, baixe o MP3 diretamente clicando aqui!

Aqui iniciamos então uma série de posts dedicados aos clichês de viagem, ou seja, aquelas coisas que teoricamente esperamos encontrar nos lugares. Será que em Salvador tem gente jogando capoeira no meio da rua? Será que os gaúchos só comem churrasco? Será que no México há vários bigodudos, usando “sombreros”, dormindo encostados em cactos, bêbados de tequila? A equipe do Jeguiando, através de uma observação quase “antropológica”, traz para você, através da experiência vivida nas viagens, o que se confirma e o que é mito. Vamos então hoje falar um pouquinho dos clichês argentinos, observados em nossa estadia em Buenos Aires.

Entre os clichês esperados e que foram confirmados ou não, vamos listar alguns.

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Tangão no meio da rua. Clichê? Nono! Imagem: Jeguiando.

- Clichê nº 1: Na Argentina, tem gente dançando tango nas ruas em horário comercial! E é aquele vai-não-vai, aquelas pisadas fortes e aqueles cabelos embebidos de gel ou brilhantina (momento mil novescentos e guaraná com rolha).

É verdade!!! O tango faz parte do imaginário argentino e foi na Argentina que ele nasceu, logo o mais comum é encontrar dançarinos de tango pelas ruas de Buenos Aires, tentando faturar uns pesos para garantir seu sustento. Além dos dançarinos de tango, é comum entrar em várias lojas e ser embalado desde um tangão mais tradicional como o de Carlos Gardel ao tango revisitado e reconfigurado como o das seguintes bandas: Otros Aires, Gotan Project, Tanghetto e Bajofondo, que desde já indico.

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Diabéticos, cuidado! Os alfajores pulam em suas bocas! Imagem: Jeguiando.

- Clichê nº 2: Em todo e qualquer lugar pulam alfajores na sua frente!

É verdade!!! Tirando o pulo, realmente encontramos alfajor em qualquer muquifo de Buenos Aires. O doce lá é vendido nos lugares mais pé-de-chinelo até nos grandes cafés. Há uma variedade imensa para todos os gostos. Eu prefiro os alfajores crocantes, de 3 andares. Hummmmmm!!! Mas deixo uma dica para você, viajante. Se for comprar caixas de alfajor para presentear ou para consumo, sugiro comprá-las em supermercados. Sai muitooooooo mais em conta do que nas lojinhas espalhadas pelas ruas.

- Clichê nº 3: Os argentinos são ranzinzas.

Mito!!! O contato que tivemos nas duas vezes que viajamos para a Argentina diluiu este clichê definitivamente. Como passamos, na segunda vez, vinte dias por lá, tivemos a oportunidade de entrar em contato com várias pessoas, que foram sempre simpáticas e receptivas. Quando pedíamos informações, sempre estavam dispostos a ajudar. E não foram raras as vezes que sentamos para bater altos papos, embalados por muita simpatia. Deixem as birras para o futebol! Os argentinos são legais!

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Bife de Chorizo. Ai, minhas artérias! Imagem: Jeguiando.

- Clichê nº 4: O bife de chorizo é realmente bom quanto dizem?

É verdade!!! Os cortes argentinos são bem diferentes dos nossos cortes e o bife de chorizo (não meu povo, não é um bife feito de linguiça) é um corte de mais ou menos 500g, macio e, quando bem preparado, é uma experiência que vale a pena, quando você é declaradamente carnívoro. Eu não sou tão carnívora assim, mas me rendi ao bife de chorizo!

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Empanados. Imagem: Jeguiando.

- Clichê nº 5: Os argentinos adoram croissants (medialunas) e empanados!!!

É verdade!!! Desde o café da manhã no hotel ao café em qualquer lugar de Buenos Aires, sempre, SEMPRE, você verá as tais medialunas e os tais empanados no cardápio. Confesso que depois de 20 dias, eu já não aguentava mais ver estes dois itens em minha frente e comecei a ter sonhos eróticos com pães franceses. Mas, tudo bem! Eu adoro os empanados, mas acho que eles poderiam dar uma variada no cardápio!

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Corte de cabelo estilo Maradona. Coisa linda! Fonte da Imagem: Gazeta Web.

- Clichê nº 6: Todos os argentinos usam o corte de cabelo do Maradona ou exibem exagerados mullets.

Meio mito, meio verdade. Vi várioooooooooos argentinos com mullets. Vi váriooooooooooooooos argentinos exibindo o Maradona’s style, mas também vi várioooooooooooos argentinos com cortes mais sóbrios, logo é meio a meio!

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Será Fábio um argentino hecho en Bahia? Corte de cabelo Maradona's style ele tem... Imagem: Jeguiando.

- Clichê nº 7: Os argentinos são nacionalistas e adoram manifestações.

É verdade!!! Em qualquer lugar que você ande, há uma bandeirinha azul e branca hasteada e os argentinos gostam sim de manifestações. Desde pichações indignadas à ocupação constante de manifestantes diante da Casa Rosada, há sempre algo a ser questionando. Eu, particularmente, admiro (sem ironia) o poder de mudança que este povo tem. Ao contrário de nós, brasileiros, que vemos escândalos se sucederem diante de nossos olhos, sem que nada seja feito, os argentinos correm atrás de seus direitos e funcionam bem quando a coletividade precisa ser acionada. E dá-lhe manifestações e passeatas!

Bom, espero que esta primeira edição da série Clichês de Viagem tenham agradado a vocês, leitores e jeguiantes. A idéia deste espaço é dividir, de forma bem leve e descontraída, a experiência que tivemos observando os lugares por onde passamos.

Até a próxima edição!

Equipe Jeguiando.

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Caminito – Buenos Aires

Posted by Janaína Calaça On agosto - 11 - 2009

Já visitamos a Argentina durante dois anos seguidos: entre 2007/2008 e 2008/ 2009 e digo, tranquilamente, que foi uma de nossas viagens mais divertidas até agora. Viajamos basicamente para duas cidades argentinas: Buenos Aires e Rosário e vamos tentar passar, através dos posts, a sensação gostosa que é a de visitar estas duas cidades. Começaremos por Buenos Aires, por ser um ponto de grande visitação e que, a cada ano, atrai mais e mais turistas. Na primeira vez que viajamos para Buenos Aires, passamos apenas 4 dias (fomos passar a virada de ano), o suficiente para querer retornar à cidade e em nosso retorno, passamos 20 dias. Nossa escolha por uma estadia mais longa teve haver com o fato de que queríamos, além de passar as festas nesta cidade que tanto gostamos e respeitamos, conhecer um pouco mais de Buenos Aires em seus dias comuns, em sua correria, em sua dinâmica própria e foi uma experiência gratificante. Convidamos, então, vocês a conhecerem em cada post um pouco mais deste lugar que tanto nos chamou a atenção.

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Caminito. La Boca. Imagem: Jeguiando.

Para iniciar a nossa série de posts sobre a capital argentina, escolhi falar de um dos meus lugares preferidos da cidade: o Caminito. Desde nossa primeira visita, que este cantinho me arrebatou por razões simples: o Caminito é uma explosão de cores embalado por tango. Tudo bem que o tango é parte do marketing do lugar, mas mesmo assim, turista como sou, acabo entrando no ritmo e me deliciando ao ver dançarinos se equilibrando nas ruas e dando vida a esta dança de avanços e récuos.

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Casarões coloridos. Caminito. Imagem: Jeguiando.

O Caminito está localizado no bairro de La Boca, o mesmo bairro onde também está localizada a Bombonera, estádio do Boca Juniors, time argentino, onde Diego Maradona jogou por anos! La Boca, historicamente, é conhecida por estar ligada à primeira fundação da cidade de Buenos Aires, que data de 1536. O bairro, antigamente, funcionava como porto, mas hoje está desativado e as águas completamente poluídas e impróprias para atividades como banho e pesca. La Boca atraiu, por se tratar de um porto, a entrada de vários imigrantes italianos, que, chegando à cidade à procura de trabalho, iam se aglutinando no bairro e construindo suas casas com o material que encontravam, como restos de madeira e chapas de metal. As casas eram então pintadas também com restos de tinta, utilizadas para pintar os navios. Não é à toa que as casas têm essa multiplicidade de cores. Longe de ser uma proposta estética, o colorido indica o caminho encontrado para utilizar os restos de tinta.

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Casarão colorido. Caminito. Imagem: Jeguiando.

La Boca, durante muitos anos, foi conhecida por abrigar a fatia pobre e marginalizada de Buenos Aires. Habitada por imigrantes e prostitutas, foi lá que (dizem) o tango surgiu. Inicialmente o tango era dançado por homens e aos poucos foi dançado também pelas prostitutas, o que transforma esta dança, durante anos, proibida para a alta sociedade, que a considerava sensual demais para ser apresentada em público. O tango, no entanto, foi resignificado e hoje é apresentado em casas de tango frequentados pela alta sociedade, que paga 200 dólares para assistir as apresentações. Ironias à parte, não pagamos 200 dólares, nem pagaríamos, porque pelas ruas de Buenos Aires, dançarinos com suas meias rotas e seus vestidos puídos, resgatam as origens da dança e é isso que procuramos encontrar.

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Estátuas. Carlos Gardel. Caminito. Imagem: Jeguiando.

O Caminito, anos mais tarde, foi revitalizado e transformado em Museu a céu aberto. Os casebres, que antes funcionavam como moradia, hoje fazem parte da memória da cidade e foram ocupadas por restaurantes, bares e lojas de souvenirs. O lugar também reúne uma série de obras de artistas argentinos, como Benito Quinquela.

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Jegueton e Fábio. Caminito. Imagem: Jeguiando.

Para quem gosta de artesanato e arte em geral, o Caminito é um bom lugar para levar um pouco de Buenos Aires na mala. Pelas ruas, o viajante encontra facilmente peças em barro e telas de artistas locais, a preços que valem mais a pena do que em lojas de souvenirs, localizadas na Rua Florida, por exemplo. Se você ainda tiver uma boa dose de cara-de-pau, ainda dá pra negociar bons preços, mas seja insistente, porque os argentinos não curtem muito fazer pechincha!!!

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Jegueton pulando de alegria no Caminito. Imagem: Jeguiando.

Para sentar e relaxar, o Caminito conta com uma estrutura interessante de bares, restaurantes e cafés. No próximo post falaremos especificamente de um café muito interessante, que tivemos a oportunidade de conhecer. No mais, o único ponto que talvez me irrite um pouco é o fato de que muitos comerciantes estão agora tentando faturar mais um dinheiro com as esculturas que compõem o Caminito. Em nossa primeira visita à cidade, fotos com as esculturas não eram cobradas e agora, “sutilmente”, foram instalados cofrinhos onde você deve, até então, depositar, “compulsoriamente”, dois pesos.

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Cais. Riachuelo. Caminito. Imagem: Jeguiando.

Apesar do inconveniente da cobrança de algumas fotos, ainda assim o Caminito é um lugar que deve ser visitado por sua beleza, por sua atmosfera singular, pelas canções que pontuam os passeios e principalmente por ser parte da memória histórica de Buenos Aires. Em visita a Buenos Aires, passem lá. Valerá cada caminhada e cada fotografia tirada e guardada!

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